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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Perfume

Teu perfume...
Teu cheiro...
Me leva à lembranças passadas
Aos momentos vividos
Ah que saudade!
Mas antes não era certo,
Antes era improvável
Antes trazia uma felicidade não concreta
Um desejo não realizado
Um sonho não concretizado
Mas hoje...
Ah! Hoje é verdade
Hoje é fato
Que pertences à minha vida
Que fazes parte do meu mundo
Quanto sofrimento meu coração
Passou ao recordar do teu perfume
Quantas lembranças felizes não foram
Resgatadas pela memória
Cada vez que eu sentia teu perfume único
Hoje o aperto no coração que sinto
É porque tenho saudades de ti
É porque queria estar mais perto do que
Estou agora
Não é uma dor ruim, daquelas que
Esmagam o coração e estraçalham a alma
Porque sei que és meu
Mas ao sentir teu perfume
Sinto uma leve dor em meu coração
Uma dor de saudade que logo passará
Quando eu de novo te encontrar
E em teus braços me aconchegar
Esse teu perfume único
Que me faz acreditar
Que essa reles distância
Jamais vai nos separar
Não importa o que aconteça
Pra sempre dentro de ti
Eu vou estar

Vampyra Morgh


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Depressão


Ela insiste em me acompanhar
em me maltratar...
Insiste em me fazer chorar
Apertando meu peito de angústia
e solidão
Onde ficaram meus planos?
Onde ficarão?
Não há mais um caminho à frente
Só a escuridão
Oh! Aperto no meu coração que nunca cessa
Silêncio que nunca acaba
Mais forte que a felicidade que havia
Espalhando-se sorrateira,
Arrastando-me com ela
Para o breu sepulcral e silencioso
A dor que oprime meu peito não permite
A tentativa, mesmo que parca, de subir à superfície
A aceitação é a melhor atitude a tomar
Acabou. O caminho findou e de minha essência
nada restou
Vou deitar aqui, no frio
E me aconchegar nos braços da Morte
Vou sorrir tranquilamente
porque estarei em paz finalmente

Vampyra Morgh

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Saudações Mortais,

Acabei de criar.

A sede arranhava minha garganta
Como as mãos da Morte com suas garras compridas
Meu pensamento já não seguia mais uma linha 
Lógica de raciocínio 
Tudo estava chegando ao fim...
Então te avistei ao longe
Sentado em um banco de parque
Silencioso e solitário
Aproximei-me furtivamente
Coloquei minhas mãos em teus ombros
Me inclinei e sussurrei em teu ouvido:
Hora de partir meu querido
De alguma forma eu já sabia 
Que ele estava me esperando e, por isso, 
Não ofereceu resistência
Meus caninos aproximaram-se de seu pescoço
E sem pensar duas vezes, o mordi
Eliminando a sede que me consumia aos poucos
Ele não esboçou reação alguma enquanto eu
Sugava a essência de sua vida
Parecia que ele não estava ali...
Então quando me afastei de seu pescoço
E caminhei até ficar de frente para ele 
Foi que eu vi com horror
Ele já estava morto e havia sido
Logo antes de eu chegar
E agora? Forças das Trevas?
Pensei começando a me desesperar
O sangue que me manteria viva
Era o mesmo sangue morto que 
Agora acabava com ela...
Oh! Tanto tempo de espera...
Tanto tempo de planejamento
Para quando o momento chegasse 
E alguém chegou antes de mim
Alguém que não apoiava minha união
Com ele e agora ambos teríamos o mesmo fim...
Senti o sangue morto dele em minhas veias
Senti minha imortalidade desaparecer aos poucos
Eu estava deixando esse mundo...
Oh... tudo porque não observei os detalhes
A desatenção gera perdas irreparáveis
Então tudo começou a esmorecer
Minha visão escureceu, meu corpo fraquejou...
Caí de joelhos em frente àquele que pensei 
Que seguiria comigo ao longo dos séculos 
Sem esperança... sem chance... sem nada... só a escuridão
O último suspiro, a última visão
De algo que poderia ter sido e não foi
De algo que me foi tirado antes mesmo de ser meu...
Oh Mestre! Estou de volta ao meu lar, de volta à
Escuridão...


segunda-feira, 28 de março de 2016

Bipolaridade


Saudações Mortais,

Coloquei esse vídeo porque achei simples e prático. Explica muita coisa e talvez muitas pessoas que acham que a pessoa que tem bipolaridade fica "se fazendo" para aparecer e chamar a atenção, mudem de ideia e, ao invés de se acharem donas da razão, comecem a ajudar e a entender mais.









https://www.youtube.com/watch?v=HGIUGROWdlc


Até a próxima,


Diário bipolar

Saudações mortais...

Bem, aqui estou eu ainda nesse mundo... Hoje não fui trabalhar porque não passei bem. 
Acordei mal do estômago e com dor de cabeça (dor esta que tem me acompanhado quase todos os dias e tem me deixado irritada, para variar).
Eu não poderia ficar o dia inteiro em casa e não fazer nada a respeito. Estou cansada disso. Faz 4 meses que eu parei de tomar a porqueira da medicação e não é de se admirar que eu ouvi reclamações, com razão, do meu marido em função das mudanças bruscas de humor. Meu filhote também já sofreu com os ataques de raiva, não com ele, mas comigo mesma. 
Por sorte, depois que aconteceu a tempestade do dia 29 de janeiro, meu cargo de bibliotecária foi extinto, mas para surpresa minha o ditado que diz que há males que vem para bem, serviu direitinho.
A gerência que eu aturava por 7 anos já não é mais nada minha. Comecei a conversar com outras pessoas ao invés de ficar como um  bicho do mato socado o dia inteiro na minha sala, catalogando livros. E de quebra, ganhei um voto de confiança do diretor para ver se eu consigo assumir uma atividade e concluir com sucesso.
Mas a parte disso tudo é que surgiu uma luz no fim do túnel, literalmente falando.
Comecei a conversar com uma colega que eu só cumprimentava antes e ela me deu umas dicas muito interessantes de onde buscar ajuda para essa porqueira de bipolaridade.
Conversamos bastante e eu me convenci que precisava de ajuda, porque do jeito que estava, estava começando a ficar difícil. Bem, difícil. Na verdade, quem tem essa droga de doença deixa os outros à volta doentes também, porque é uma coisa complicada de conciliar.
No último texto que eu escrevi, disse que não queria fazer o tratamento porque era caro e porque eu iria ficar como uma múmia. Mas na verdade não é isso, não adianta nada ter um monte de criações e criatividade explodindo se eu não consigo concluir droga nenhuma. Ter milhões de ideias e não concluir nada, não tem tem valor algum. Acaba dando no mesmo, só que a pessoa fica uma múmia mais ativa, só isso. E a frustração de não conseguir concluir nada nesse mundo deixa a pessoa pior ainda.
Foi por isso que hoje eu tomei uma decisão: vou voltar a cuidar de mim. Comecei a tomar meus remédios e marquei uma triagem na Fundação Mario Martins. Vamos ver o que vai dar, no mínimo, pior não fica. Como eu escrevi antes, minha maior preocupação são meus filhotes peludos que não se cuidam sozinhos. Se eu não me cuidar, que adiantará tudo isso? Daqui a pouco vai me dar um piripaque e eles vão ficar sozinhos e nada vai adiantar. Meu filhote também não precisa de uma mãe bipolar sem controle algum como exemplo do que não se deve fazer.
Tenho um outro blog Verdade mentirosa, mentira verdadeira em que eu digo que, se as pessoas não concordarem com o que eu digo, ao menos elas terão como exemplo o que NÃO se deve fazer, mas falando a verdade, desde que eu contribua com alguém nessa vida, já ficarei feliz, mas no fundo do coração, com meu filho eu não quero ser o exemplo do que NÃO SE DEVE FAZER  e sim do que É O CERTO. Penso que devemos contribuir de alguma forma, mas se for possível, que seja de forma a mostrar o positivo e não o negativo. :)
Então, por isso estou aqui hoje, para iniciar meu Diário Bipolar. Acredito ser uma maneira boa e positiva de me ajudar (porque amo escrever) e de ajudar outras pessoas que podem estar na mesma situação que eu.
Como eu disse antes, quero contribuir de forma positiva e não ser um exemplo para os outros do que não se deve fazer.
Sendo assim, publicarei aqui, minha caminhada rumo à convivência e aceitação do que é viver com essa droga deselegante de doença que é a BIPOLARIDADE.
Pelo menos, o primeiro passo eu já dei: medicações e ajuda profissional. Vamos ver o que vai acontecer na sequência.
Também gostaria de deixar aqui registrado meu muito obrigada à minha colega que me passou as informações da Fundação e que me disse o que eu já sabia, mas não colocava em prática, que se eu estiver bem, todo o resto fica bem e que o importante é a gente se cuidar.
Valeu!


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Maldita bipolaridade

É, ainda não me matei (para alegria de uns e tristeza de outros...)
Não sei o que fazer... hoje tudo ficou muito claro pra mim: ter essa doença é literalmente um inferno. Passo do bom pro terrivelmente ruim em segundos. Se tomo o remédio fico como uma pessoa normal: literalmente uma idiota. Nada contra as pessoas normais, é sério. Tenho inveja delas, porque elas vivem seus dia a dia de forma pacífica, rotineira e não tem esses ataques de raiva, de loucura, de extremidades e de muita criatividade. 
Estou há um mês ou mais sem tomar os malditos remédios e confesso que até agora não preciso deles, mas já passei por surtos de raiva, de alegria, de solidão e de tristeza sozinha porque não quis falar com ninguém da minha família, muito menos com a psiquiatra. 
Quando isso aconteceu, eu me soquei no quarto e fui dormir antes de chorar como uma condenada no travesseiro.
Hoje posso dizer que estou normal, normal naquelas... estou com milhões de ideias, meu pensamento não acompanha a velocidade do que eu quero fazer e, na maioria das vezes, me esqueço do que estava falando sozinha, ou fazendo, para ter de parar com tudo para me organizar e tentar ver de onde eu parei...
Falando sério mesmo, que inferno ter isso. É como ter um dom  amaldiçoado. 
Posso ver tudo tão claro e nítido quando não tomo os remédios, mas ao mesmo tempo, tenho acesso de raiva e de tristeza que me afasta das pessoas que eu amo. É como se eu tivesse acesso ao universo todo, mas pagasse um preço bem alto por isso. Um preço que me cobrasse a felicidade e me desse de "presente" a solidão.
Se eu tomo os remédios, fico normal, como se eu fosse uma linha reta. É como se toda a criatividade que existisse em mim sumisse e eu fosse um zé ninguém, mas quando eu não tomo os remédios, minha criatividade e espontaneidade fluem tão natural como se isso fosse o normal. Tenho mil ideias, mas de algum jeito, nenhuma dela se concretiza... e isso me frustra como seu eu fosse uma nulidade.
Eu queria fazer tanta coisa de útil nesse mundo inútil... queria fazer alguma coisa pra ajudar, mas não consigo. Sou a contradição em pessoa.
Sou tão criativa, mas não consigo levar minha criatividade adiante. Muitas vezes já desejei não ter nascido com esse monte de coisas: saber pintar, desenhar (acho que também sei cantar), tocar piano e violino, ter ouvido absoluto como o de Beethoven, que amo de paixão, ter um sotaque alemão sem ser alemã (minha professora de alemão que comentou isso, chegando a perguntar se eu jé tinha estudado alemão antes quando entrei pro  primeiro semestre de alemão na escola CLEM). Queria não saber escrever minhas histórias de vampiros e que meus leitores não gostassem tanto delas, queira não saber escrever, quera não saber tricotar, queria não saber bordar, queria não saber fazer tanta coisa (fazer bijouterias) e não queria saber de tanta coisa de artes e literatura, talvez assim eu não sofresse tanto. 
Ter um monte de conhecimento e não usar é cruel, é doloroso. E é isso que acontece comigo, que tenho essa maldição de bipolaridade.
A vida por si só já é ruim e eu consegui ter essa mala biológica para piorara minha vida. Sei que a medicação ajuda, mas nos dias de crises gastar R$300,00 de remédio é um absurdo. Gastar R$300,00 em algo que me deixa como um robô, com atitudes mornas e sem graças, mas que faz com que eu  não tenha surtos de estupidez, raiva e gastos sem necessidades?
É a maldita doença do 8 ou 80 literalmente falando. Não sou melhor do que ninguém, mas quando a gente tem acesso ao muito criativo que existe em nosso cérebro e no potencial que ele tem é praticamente impossível querer tomar aquele maldito Carbolitium para pôr ordem na casa. 
Toda a vez que eu todo o remédio corretamente, eu mando todos os meus personagens dos meus livros pro inferno. Eu não tenho criatividade para dar vida ao Chistopher, meu vampiro do livro A ilha, por exemplo. Não adianta eu ficar pensando nele e na história que nada acontece. Mas eu sei que se a minha imaginação ficar solta, ele ganha vida, a história continua e os meus leitores agradecem, mas sou eu quem me dano depois com a minha família. Por isso penso que se eu desse um jeito de sumir desse mundo seria melhor. Não mais incomodaria as pessoas que gostam de mim, mas também não posso fazer isso porque assumi um compromisso com 3 anjos...
Tenho 3 cachorros que dependem de mim e que não me pediram para vir pra cá, porque fui eu quem os procurei. Como posso deixar 3 anjos que não sabem se cuidar sozinhos se eu for embora? Eu não sei o que vai acontecer com eles se eu morrer. Provavelmente minha família não os vai querer e sabe-se lá o que o Diabo vai fazer com eles...
Mais um problema que eu criei pra mim, mas que não posso largar de mão...
Mas também não quero magoar as pessoas que gostam de mim com meus ataques de estupidez e fúria, mas também não quero comprar R$300,00 em remédio e ficar como uma múmia...
Por quê isso teve que acontecer comigo? Será que eu tenho que contactar meus pais e bater neles por eles terem me posto neste mundo podre com essa doença mais podre ainda? Eu não pedi para vir para cá, não pedi para passar por isso e agora não tenho a mínima ideia de como resolver esse problema infeliz.
Abençoada todas as pessoas que não são bipolares...



segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Suicidio

Estou postando isso agora, porque achei que já tinha postado antes do texto que acabei de postar, que idiota.... É o preço que se paga pela bipolaridade.




Sim, estou pensando em suicídio. Talvez a melhor solução para os meus problemas.

Cheguei até a criar um slogam:”O suicídio nada mais é do que a autonomia sobre a vida”

E não é verdade?

Quando uma pessoa decide acabar com a própria vida, ela não está decidindo quando, como e onde quer morrer? Ora, a única coisa certa nessa existência é que TODOS vamos morrer mais cedo ou mais tarde, só não sabemos quando, onde e como. Não passamos de simples marionetes da vida.

Somos formigas queimando sob a lupa de deus, ser supremo que segundo uns, nos criou à sua imagem e semelhança e, segundo eu, nos largou aqui para nos virarmos e perdermos a esperança nas coisas boas a cada dia que passa. Acredito que, já que não pedimos para vir a esse mundo, pelo menos poderíamos ter a opção de decidir quando vamos deixá-lo.

A Morte é um assunto terrível e eu sei muito bem disso. Antigamente pensei que ela fosse uma amiga que fosse levar as coisas ruins embora e me dar paz, mas daí lembrei que eu não estou sozinha. Apesar de muitos quererem que eu morra, eu não posso simplesmente acabar com minha existência. Tenho meu filho, meus cachorros e meu marido que, penso eu, iram sentir minha falta e eu acho que ainda não cumpri minha missão com eles. Mas não consigo aceitar que algum deles vá embora antes de mim, porque eu não suportaria continuar sem eles.

Então por que raios não podemos decidir quando ir embora? Se a coisa toda fosse planejada, na certa seria menos dolorosa, já que esse é o final de todos nós.

É certo então nos despedirmos de quem amamos e, por causa de um bandido, nunca mais os vermos porque a alguém decidiu dar um tiro neles? Sei de histórias em que as pessoas foram rotineiramente para os seus trabalhos e, nunca mais voltaram por causa de terceiros, que deveriam morrer em seus lugares, porque esses sim não prestam.

Então chegam os otimistas: “Carpe diem.” Também concordo, mas não temos de aproveitar o dia porque não sabemos o que pode acontecer em seguida. Temos de aproveitar o dia porque é isso que viemos fazer aqui, nesse planetinha decadente. Por que viemos parar um lugar que não pedimos, para passar trabalho, sofrer e, além disso, ainda por cima aproveitar o dia porque não se sabe até quando vamos ficar por aqui à espera de um louco qualquer ou de um câncer qualquer prontos para nos levar? Por que deixar nosso corpo envelhecer e, por mais saudáveis se sejamos, chegar a um ponto em que uma lesma se torna mais rápida que nós?

Por que não decidimos quando queremos ir? É tudo uma questão de planejamento.

Eu não queria ter essa consciência, não queria ter memória, não queria sofrer com o que foi e nunca mais será. Não queria ter em minha mente imagens e lembranças de pessoas, animais, situações que eu sei que NUNCA mais acontecerão ou estarão comigo. Somente quando eu morrer é que as lembranças e saudades irão embora. Por melhor que seja uma lembrança, a saudade que ela causa é sempre nostálgica, porque não queríamos que acabasse, mas é algo que não depende de nós...

Queria fazer como um video que vi no Youtube: uma senhora, provavelmente cercada dos entes queridos e com câncer terminal, decidiu pôr um fim no sofrimento. Uma amiga lhe serviu Nembutal, ela bebeu, conversou, sorriu e comeu chocolate. Depois, como uma criança que brinca até tarde da noite, foi se acalmando, se aquietando e era possível observar o sono eterno aproximando-se lentamente.

Ela morreu feliz, com calma e tranquilidade. Morreu junto dos que amava e provavelmente seu corpo e espírito finalmente puderam descansar...

Pensando por esse lado, não é uma boa ideia ao menos controlar isso? Saber quando ir, saber quando se despedir, saber como partir? Ao menos nunca ficará a sensação do que podia ter sido e não foi. Não foi porque deus quis, foi porque a pessoa decidiu que aquele era o melhor momento para fazer o inadiável.

07/12/2015